Brasil: Dívida estadual contamina e pode escamotear a situação de endividamento do Governo Federal

Se a deterioração das contas fiscais vem se aprofundando desde, pelo menos 2014, a dívida pública aumentou de patamar neste ano de 2017, basicamente por conta do endividamento interno líquido. No mês de agosto, a dívida interna líquida atingiu R$ 2,2 trilhões, dando sequência ao crescimento ininterrupto que dura desde outubro de 2016 e que ultrapassou a marca de R$ 2 trilhões em março de 2017. Esse aumento não se deu apenas por conta de dívidas contraídas pelo Governo. O Governo até reduziu sua dívida bruta interna em sete meses, desde abril de 2016, mas também desde então os haveres internos se estabilizaram e em também sete meses no mesmo período caíram. Contribuiu fundamentalmente para tanto os haveres administrados pela STN. Se se reduziram os haveres do Governo Federal administrados pela STN, por outro lado cresceram seus haveres junto aos governos regionais, principalmente por renegociação de dívidas dos governos estaduais, no mesmo período. A tendência de crescimento desses haveres deve anular, em breve a queda de patamar dos haveres administrados pela STN, de modo que, acontecendo novas reduções esporádicas do endividamento bruto, as mesmas podem ser acompanhadas agora por redução do endividamento líquido, mas isso estará marcado por assunção, por parte do Governo Federal, de mais dívidas dos governos estaduais, o que não representa melhorias da situação de endividamento do Governo Federal, dado o alto risco dessa dívida.
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